Ubiratan Brasil
Para entender o que aconteceu com o ex-atacante Müller, jogador com passagens por São Paulo, Palmeiras, Cruzeiro, seleção brasileira e tantos outros clubes, PLACAR resgatou reportagem de julho de 1986 sobre a mudança que o ex-Atleta de Crsito sofria. Aos 20 anos, o avançado descobria os prazeres da juventude…

Sem pecado e com juízo, o atacante Müller, do São Paulo, se afasta dos Atletas de Cristo para experimentar os prazeres normais que a vida oferece a qualquer jovem como ele
A luz que piscou para Müller no último dia 31 de janeiro, quando ele completou 20 anos de idade, não tinha nada de divina. Tampouco partia dos holofotes de Satanás. Possuía, é verdade, o excitante brilho do neon. Recortava a silheta de gatinhas cheirosas, doces e sempre disponíveis. Era uma luz natural a iluminar os caminhos de um jovem que desfrutava um momento raro em sua vida. O atacante do São Paulo ostentava a faixa de campeão paulista, dinheiro no bolso e um carro da moda. Não batasse tudo isso, apontavam-no como uma das grandes revelações do futebol brasileiro nos últimos anos.
Faltava-lhe uma consagração na Seleção, o que acabou não ocorrendo. Ainda que nos pênaltis, o Brasil foi eliminado pela França nas quartas-de-final da Copa do Mundo. Tido e havido como solução para o ataque nacional, Müller não jogou tudo o que sabia – ou devia. Escapou, porém, ileso de uma cruxificação. Diariamente, quantidades industriais de cartas endereçadas a ele chegam ao Morumbi. E nem todas contêm piedosas palavras de consolo. Grande parte da correspondência sugere uma forma íntima e explícita para afogar as mágoas. Trata-se de um novo símbolo sexual das tietes futebolísticas. Ou “pastoras”, como prefere chamá-las seu severo técnico Cilinho.
Na verdade, esse rapaz sul-mato-grossense com pele de índio tem muito futuro pela frente e sabe disso. Seus olhos amendoados brilham, mas ele não parece surpreso ou assustado. Müller mostra-se imune a alguns perigos do estrelato – contudo já revela as primeiras mudanças. A começar pela religião.
Até há pouco tempo, junto com Silas e Márcio Araújo, seus companheiros no São Paulo, Müller era um dos baluartes do grupo conhecido como Atletas de Cristo. Reuniam-se todas as segundas-feiras para construtivas leituras da Bíblia. Esta seita tem como mentor e relações-públicas um pastor de nome Johnny Monteiro. Fica por conta da maledicência alheia dizer que o grupo é a TFP do futebol brasileiro e Johnny, um oportunista, disposto a tirar proveito de uma paixão do povo para se autopromover. O afastamento de Müller foi lento, gradual e seguro, como a distenção política do ex-presidente Ernesto Geisel. Engana-se, porém, quem aposta ter-se transformado o jogador num libidinoso fauno herege. “Apenas passei a conciliar minha fé religiosa com a busca dos prazeres naturais da idade”, defende-se.
Sem cervejinhas - Costinua muito amigo de Silas, mas não é mais companheiro de quarto. No início do ano, mudou-se da concentração do Morumbi para a sossegada casa de Josias Marques Filho, um comerciante de automóveis com livre trânsito nas divisões inferiores do São Paulo. “Aqui, ele não tem um horário rigoroso para cumprir”, explica o negociante que o apresentou ao clube em 1982. Trocando em miúdos, Müller tem sinal verde para prolongar seus passeios favoritos. E não há nada de vida desregrada, luxúria ou mulheres de escarlate metidas nesses programas. Ele gosta mesmo é de dar bandas pelos shoppings centers mais sofisticados da cidade. Ali, ele se encanta com as vitrinas. Não o irritem, entretanto, convidando para uma inocente cerveja. Quem quiser travar amizade com o ídolo deve convidá-lo para um sorvete, que ele toma às toneladas. “Sorvete é o meu barato”, lambe os beiços.
Mas já vão longe os tempos em que tais andanças eram tranquilas. Hoje, sua presença é anunciada por gritinhos femininos, inúmeros beijos. Paciente, Müller empunha uma caneta e sai distribuindo autógrafos. Assina cadernos, guardanapos, braços, mãos e pernas. “Ele parece um bombom”, opinou uma sedutora ruiva, um dia desses, no Morumbi Shopping. A ruiva sardenta tinha olhos de quem devora um delicioso doce.
Os psicólogos de plantão debruçam-se sobre o novo enigma. Qual o segredo deste jovem fã dos filmes de Rambo, de Sylvester Stallone, e fitas de horror como Sexta-Feira 13? “Ele é solteiro e jovem”, justificam algumas tietes – ou mülleretes, conforme os invejosos. É, ao mesmo tempo, famoso e sem problemas financeiros. E nem precisa ser a beleza clássica de um David Bowie, os olhos de Chico Buarque ou a boca de Mick Jagger. Sua aparente e, talvez, estudada timidez sempre irá despertar o lado maternal das gatinhas.
Bons presságios – Em poucos meses de estrelato, Müller atingiu o grau de exigência a que estão sujeitos todos os grandes ídolos. Cada vez que entra em campo, aguarda-se dele um novo espetáculo. “No começo, eu me intimidava”, reconhece. “Agora isso não interfere mais com meu futebol”. Tal segurança, sem dúvida, revela os bons presságios trazidos pela mudança de vida. Afinal, para se alcançar o sucesso, é sempre bom ter fé no taco.
Ainda bem que a vaidade não chega a ser um pecado mortal pois,do contrário, Müller correria o risco de arder nas chamas do inferno. Caprichoso, mantém o exótico corte de cabelo denominado “Halley 86″ – homenagem de estetas capilares ao cometa que, segundo se comenta, exibiu-se este ano. Gasta cerca de 10 000 cruzados mensais em roupas novas. Possui um desprezo olímpico por jeans. Produz-se com calças largas, camisas de fino corte e vistosas jaquetas. “Quando descubro alguma loja do meu agrado, torno-me um freguês fiel”, anuncia.

Metódico, sustenta os seus 76 kg distribuídos em 1,76 m de altura à base de grelhados. Frequenta a fina churrascaria Rodeio, onde geralmente saboreia uma picanha fatiada. E a noite chega, com Müller trocando segredos com namoradas temporárias em bares como o QG, na região dos Jardins, reduto da fina juventude paulistana. “Mas não pretendo me casar antes dos 30 anos”, avisa às mais afoitas por um enlace matrimonial. Apregoa que a mulher ideal deve ser loira de olhos verdes, estatura média e corpo bem proporcionado. “Aprecio, também, o modelito de Cláudia Raia”, sentencia.
A grande paixão, porém, é a cantora norte-americana Madonna. Müller tem todos os seus discos, além de fitas de videocassete com clips e shows ao vivo. “Ele é maluco”, diverte-se Casagrande, que foi seu companheiro de quarto na concentração de Guadalajara. “Passa o dia inteiro com uma foto de Madonna nas mãos declamando frases de amor”, revela. “Até dorme com a tal foto debaixo do travesseiro”, confidencia Casão. Conta-se que, no México, o austero goleiro Leão – 37 anos completados na semana passada – teria expulsado Müller do quarto por não suportar mais a voz da cantora.
Enquanto a Madonna original não vem ao Brasil, Müller se deliciou num encontro promovido por PLACAR , quinta-feira passada, dia 10 (de julho de 1986), com uma sósia. Modelo fotográfico e agora lançando-se como cantora, a paranaense Patrícia Paula também não resistiu aos encantos do atacante. “Ele é mais bonito pessoalmente do que pela televisão”. Após uma sutil troca de telefones, o jogador retribuiu a gentileza: “Ela é tão chamorsa como sugerem as fotos da revista”. Müller referia-se ao ensaio publicado na edição deste mês de Playboy, na qual Patrícia Paula mostrou algo mais que charme.
O encontro, realizado no Estúdio Abril, concretizou ainda que parcialmente um velho sonho de Müller. “Antes de me iniciar no futebol, tencionava seguir a carreira de modelo fotográfico”, conta. “Ele é muito vaidoso”, denuncia Hélio Oliveira Silva, fotógrafo oficial da CBF. Durante a fase de preparação para a Copa, 13 jogadores encomendaram álbuns de fotografias relembrando lances dos jogos e bastidores da concentração. “Müller comprou quatro desses álbuns e pagou adiantado os 60 000 cruzados pelo trabalho”, esclarece o fotógrafo especialista em casamentos, formaturas, batizados e primeiras comunhões.
Careca aprova - Tal procedimento provoca diferentes reações em seus amigos. Silas, antigo companheiro de quarto e de Atletas de Cristo, diagnostica que Müller está atravessando uma fase de indefinição. “Ele está agindo mal e sei que não desconhece isso”, reza. “Mas não posso interferir em sua vida e só espero que ele se reencontre”, apieda-se. “Não sou contra alguém ficar com a Bíblia debaixo do braço”, apregoa Careca. “Mas acho que ele tem o direito de aproveitar a juventude e, principalmente, a fama, que não é eterna”. Careca, porém, tem o cuidado de contar que Müller acata com rigor os conselhos de jogadores mais velhos, como Falcão e Oscar e, principalmente, do técnico Cilinho.
Alvejado por tantas atenções ele mesmo parece despreocupado. Alguns são-paulinos exagerados, ao vê-lo falar, chegaram a lembrar-se de Zizinho, embora, à luz da lógica, tal comparação seja tão inverossímil como dizer que Nélson Gonçalves é igual a Roger, do Ultraje a Rigor. Optou por continuar sendo o Luís Antônio Correia da Costa, seu verdadeiro nome. Para ser Müller – um apelido que surgiu em homenagem a Edmund Müller, artilheiro da Portuguesa de Desportos na década de 50 – ele não precisa imitar ninguém. Basta continuar com seus rushes, seus gols e seu futebol selvagem. E sempre haverá corações femininos batendo mais forte nas arquibancadas.
Para entender o que aconteceu com o ex-atacante Müller, jogador com passagens por São Paulo, Palmeiras, Cruzeiro, seleção brasileira e tantos outros clubes, PLACAR resgatou reportagem de julho de 1986 sobre a mudança que o ex-Atleta de Crsito sofria. Aos 20 anos, o avançado descobria os prazeres da juventude…

Foto: Sergio Berezovsky
Em 1985, de Bíblia na mão, ao lado de Silas, amigo que continua na seita e acha que ele vem agindo mal
Sem pecado e com juízo, o atacante Müller, do São Paulo, se afasta dos Atletas de Cristo para experimentar os prazeres normais que a vida oferece a qualquer jovem como ele
A luz que piscou para Müller no último dia 31 de janeiro, quando ele completou 20 anos de idade, não tinha nada de divina. Tampouco partia dos holofotes de Satanás. Possuía, é verdade, o excitante brilho do neon. Recortava a silheta de gatinhas cheirosas, doces e sempre disponíveis. Era uma luz natural a iluminar os caminhos de um jovem que desfrutava um momento raro em sua vida. O atacante do São Paulo ostentava a faixa de campeão paulista, dinheiro no bolso e um carro da moda. Não batasse tudo isso, apontavam-no como uma das grandes revelações do futebol brasileiro nos últimos anos.
Faltava-lhe uma consagração na Seleção, o que acabou não ocorrendo. Ainda que nos pênaltis, o Brasil foi eliminado pela França nas quartas-de-final da Copa do Mundo. Tido e havido como solução para o ataque nacional, Müller não jogou tudo o que sabia – ou devia. Escapou, porém, ileso de uma cruxificação. Diariamente, quantidades industriais de cartas endereçadas a ele chegam ao Morumbi. E nem todas contêm piedosas palavras de consolo. Grande parte da correspondência sugere uma forma íntima e explícita para afogar as mágoas. Trata-se de um novo símbolo sexual das tietes futebolísticas. Ou “pastoras”, como prefere chamá-las seu severo técnico Cilinho.
Na verdade, esse rapaz sul-mato-grossense com pele de índio tem muito futuro pela frente e sabe disso. Seus olhos amendoados brilham, mas ele não parece surpreso ou assustado. Müller mostra-se imune a alguns perigos do estrelato – contudo já revela as primeiras mudanças. A começar pela religião.
Até há pouco tempo, junto com Silas e Márcio Araújo, seus companheiros no São Paulo, Müller era um dos baluartes do grupo conhecido como Atletas de Cristo. Reuniam-se todas as segundas-feiras para construtivas leituras da Bíblia. Esta seita tem como mentor e relações-públicas um pastor de nome Johnny Monteiro. Fica por conta da maledicência alheia dizer que o grupo é a TFP do futebol brasileiro e Johnny, um oportunista, disposto a tirar proveito de uma paixão do povo para se autopromover. O afastamento de Müller foi lento, gradual e seguro, como a distenção política do ex-presidente Ernesto Geisel. Engana-se, porém, quem aposta ter-se transformado o jogador num libidinoso fauno herege. “Apenas passei a conciliar minha fé religiosa com a busca dos prazeres naturais da idade”, defende-se.
Sem cervejinhas - Costinua muito amigo de Silas, mas não é mais companheiro de quarto. No início do ano, mudou-se da concentração do Morumbi para a sossegada casa de Josias Marques Filho, um comerciante de automóveis com livre trânsito nas divisões inferiores do São Paulo. “Aqui, ele não tem um horário rigoroso para cumprir”, explica o negociante que o apresentou ao clube em 1982. Trocando em miúdos, Müller tem sinal verde para prolongar seus passeios favoritos. E não há nada de vida desregrada, luxúria ou mulheres de escarlate metidas nesses programas. Ele gosta mesmo é de dar bandas pelos shoppings centers mais sofisticados da cidade. Ali, ele se encanta com as vitrinas. Não o irritem, entretanto, convidando para uma inocente cerveja. Quem quiser travar amizade com o ídolo deve convidá-lo para um sorvete, que ele toma às toneladas. “Sorvete é o meu barato”, lambe os beiços.
Mas já vão longe os tempos em que tais andanças eram tranquilas. Hoje, sua presença é anunciada por gritinhos femininos, inúmeros beijos. Paciente, Müller empunha uma caneta e sai distribuindo autógrafos. Assina cadernos, guardanapos, braços, mãos e pernas. “Ele parece um bombom”, opinou uma sedutora ruiva, um dia desses, no Morumbi Shopping. A ruiva sardenta tinha olhos de quem devora um delicioso doce.
Os psicólogos de plantão debruçam-se sobre o novo enigma. Qual o segredo deste jovem fã dos filmes de Rambo, de Sylvester Stallone, e fitas de horror como Sexta-Feira 13? “Ele é solteiro e jovem”, justificam algumas tietes – ou mülleretes, conforme os invejosos. É, ao mesmo tempo, famoso e sem problemas financeiros. E nem precisa ser a beleza clássica de um David Bowie, os olhos de Chico Buarque ou a boca de Mick Jagger. Sua aparente e, talvez, estudada timidez sempre irá despertar o lado maternal das gatinhas.
Bons presságios – Em poucos meses de estrelato, Müller atingiu o grau de exigência a que estão sujeitos todos os grandes ídolos. Cada vez que entra em campo, aguarda-se dele um novo espetáculo. “No começo, eu me intimidava”, reconhece. “Agora isso não interfere mais com meu futebol”. Tal segurança, sem dúvida, revela os bons presságios trazidos pela mudança de vida. Afinal, para se alcançar o sucesso, é sempre bom ter fé no taco.
Ainda bem que a vaidade não chega a ser um pecado mortal pois,do contrário, Müller correria o risco de arder nas chamas do inferno. Caprichoso, mantém o exótico corte de cabelo denominado “Halley 86″ – homenagem de estetas capilares ao cometa que, segundo se comenta, exibiu-se este ano. Gasta cerca de 10 000 cruzados mensais em roupas novas. Possui um desprezo olímpico por jeans. Produz-se com calças largas, camisas de fino corte e vistosas jaquetas. “Quando descubro alguma loja do meu agrado, torno-me um freguês fiel”, anuncia.

Foto: Levi Mendes Jr
Em 10 de julho de 1986, ao lado de Patrícia Paula, a Madonna brasileira: uma sutil troca de telefones
A grande paixão, porém, é a cantora norte-americana Madonna. Müller tem todos os seus discos, além de fitas de videocassete com clips e shows ao vivo. “Ele é maluco”, diverte-se Casagrande, que foi seu companheiro de quarto na concentração de Guadalajara. “Passa o dia inteiro com uma foto de Madonna nas mãos declamando frases de amor”, revela. “Até dorme com a tal foto debaixo do travesseiro”, confidencia Casão. Conta-se que, no México, o austero goleiro Leão – 37 anos completados na semana passada – teria expulsado Müller do quarto por não suportar mais a voz da cantora.
Enquanto a Madonna original não vem ao Brasil, Müller se deliciou num encontro promovido por PLACAR , quinta-feira passada, dia 10 (de julho de 1986), com uma sósia. Modelo fotográfico e agora lançando-se como cantora, a paranaense Patrícia Paula também não resistiu aos encantos do atacante. “Ele é mais bonito pessoalmente do que pela televisão”. Após uma sutil troca de telefones, o jogador retribuiu a gentileza: “Ela é tão chamorsa como sugerem as fotos da revista”. Müller referia-se ao ensaio publicado na edição deste mês de Playboy, na qual Patrícia Paula mostrou algo mais que charme.
O encontro, realizado no Estúdio Abril, concretizou ainda que parcialmente um velho sonho de Müller. “Antes de me iniciar no futebol, tencionava seguir a carreira de modelo fotográfico”, conta. “Ele é muito vaidoso”, denuncia Hélio Oliveira Silva, fotógrafo oficial da CBF. Durante a fase de preparação para a Copa, 13 jogadores encomendaram álbuns de fotografias relembrando lances dos jogos e bastidores da concentração. “Müller comprou quatro desses álbuns e pagou adiantado os 60 000 cruzados pelo trabalho”, esclarece o fotógrafo especialista em casamentos, formaturas, batizados e primeiras comunhões.
Careca aprova - Tal procedimento provoca diferentes reações em seus amigos. Silas, antigo companheiro de quarto e de Atletas de Cristo, diagnostica que Müller está atravessando uma fase de indefinição. “Ele está agindo mal e sei que não desconhece isso”, reza. “Mas não posso interferir em sua vida e só espero que ele se reencontre”, apieda-se. “Não sou contra alguém ficar com a Bíblia debaixo do braço”, apregoa Careca. “Mas acho que ele tem o direito de aproveitar a juventude e, principalmente, a fama, que não é eterna”. Careca, porém, tem o cuidado de contar que Müller acata com rigor os conselhos de jogadores mais velhos, como Falcão e Oscar e, principalmente, do técnico Cilinho.
Alvejado por tantas atenções ele mesmo parece despreocupado. Alguns são-paulinos exagerados, ao vê-lo falar, chegaram a lembrar-se de Zizinho, embora, à luz da lógica, tal comparação seja tão inverossímil como dizer que Nélson Gonçalves é igual a Roger, do Ultraje a Rigor. Optou por continuar sendo o Luís Antônio Correia da Costa, seu verdadeiro nome. Para ser Müller – um apelido que surgiu em homenagem a Edmund Müller, artilheiro da Portuguesa de Desportos na década de 50 – ele não precisa imitar ninguém. Basta continuar com seus rushes, seus gols e seu futebol selvagem. E sempre haverá corações femininos batendo mais forte nas arquibancadas.

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